terça-feira, 5 de junho de 2012

DILEMAS DA NOSSA LÍNGUA

                                           

Diariamente, ao falarmos ou escrevermos, enfrentamos dificuldades no emprego de determinadas formas verbais e, muitas vezes, cometemos enganos no uso corriqueiro de algumas expressões.
Observe os exemplos abaixo

Cheguei em casa tarde.   ou    Cheguei a casa tarde.
A professora interviu a favor do aluno.   ou    A professora interveio a favor do aluno.

O verbo chegar rege preposição a  e não em, como costumamos usar no dia a dia. Já o verbo intervir , conjugado no pretérito perfeito do indicativo - 3ª pessoa do discurso (ele/ela) - tem como forma verbal interveio, assim como sobreveio de sobrevir, ou veio do verbo vir.

Você já entreteu em algum forró ou já entreteve em algum forró?  
A primeira forma verbal é muito comum no falar brasileiro e constitui desvio da norma padrão. O verbo ter e seus derivados (entreter, deter, reter) fazem o pretérito perfeito do indicativo - 3ª pessoa/singular - em entreteve (deteve, reteve).

Deparei-me com uma situação embaraçosa ou deparei com uma situação embaraçosa?
É muito comum ouvirmos falar "deparei-me", mas o comum nem sempre é o correto, não é mesmo? O verbo deparar não é pronominal; sendo incorreto, portanto, o uso de pronomes átonos (me, te, se, nos, vos). Então, deve-se falar: Deparei com a triste situação.

Eu tinha falo a verdade ou eu tinha falado a verdade?
Maria tinha pego a colher ou tinha pegado a colher?
Muitas pessoas costumam empregar a primeira forma de cada exemplo. Nessas formas verbais do particípio, o correto é falado para o verbo falar, já que falo, segundo o dicionário Aurélio é:
Substantivo masculino.
1.Representação do pênis, adorado pelos antigos como símbolo da fecundidade da natureza.
2.O pênis.
3.Embr. Órgão precursor do clitóris e do pênis. [F. paral.: fálus.]
No segundo exemplo, temos o verbo pegar que admite as duas formas verbais para o particípio e as pronúncias abertas ou fechadas para a forma pego (é ou ê).

O motorista freou repentinamente o ônibus ou freiou?
A moça penteou o cabelo ou pentiou?
Na oralidade, é comum o uso das formas verbais freiou e pentiou, no pretérito do indicativo. Mas o correto, de acordo com a norma gramatical é penteou e freou. Os verbos terminados em "ear" como arrear, cear, frear, passear, pentear, recear, recrear, saborear, etc. são irregulares: fazem um ditongo "ei" nas formas rizotônicas das 1ª, 2ª e 3ª pessoas do singular e 3ª pessoa do pluras, nos tempos do presente (indicativo e subjuntivo). Ex:
Presente do indicativo                         Pretérito do indicativo
Eu freio                                                  Eu freei
Tu freias                                                 Tu freaste
Ele freia                                                  Ele freou
Nós freamos                                           Nós freamos
Vós freais                                               Vós freastes
Eles freiam                                              Ele frearam    

Roberta se maquia  ou se maqueia?
O correto é  Roberta se maquia sempre.         
O verbo maquiar (maquilar) é regular e se conjuga no presente do indicativo assim: eu maquio, tu maquias, ele maquia, nós maquiamos, vós maquiais, eles maquiam).
Já os verbos mediar, ansiar, remediar, incendiar e odiar (MARIO) são irregulares e se conjugam no presente do indicativo dessa forma: 
Mediar: medeio, medeias, medeia, mediamos, mediais, medeiam.
Ansiar: anseio, anseias, anseia, ansiamos, ansiais, anseiam.
Remediar: remedeio, remedeias, remedeia, remediamos, remediais, remedeiam.    
Incendiar: incedeio, incendeias, incendeia, incendiamos, incendiais, incendeiam.
Odiar: odeio, odeias, odeia, odiamos, odiais, odeiam.

REFERÊNCIA

Revista Língua Portuguesa. Editora Escala Educacional. Edição nº 6 - Maio / 2012.

 

sábado, 26 de maio de 2012

VOCÊ SABIA?


Você sabia que Amadeu Thiago de Mello, amazonense de Barreirinha, abandonou o curso de Medicina no quinto ano para dedicar-se à poesia?
Carlos Drummond de Andrade, depois de ver os poemas de Thiago de Mello, alertou-o sobre os inconvenientes de deixar os estudos para se arriscar numa carreira literária. Drummond o apresentou a Manuel Bandeira, que recomendou a publicação de um dos seus poemas no jornal Correio da Manhã. Porém, o primeiro livro, Silêncio e Palavra, só foi publicado em 1951, sendo reconhecido pelos críticos literários da época.
A primeira fase da sua poesia é intimista e existencial, embora possamos perceber nela a importância da natureza e da floresta como elementos de poder metafórico constantes em seus poemas. Sua obra retrata os sentimentos mais íntimos de forma simples e lírica, mas de forte vocação social, assim como sua própria vida.
Thiago de Mello foi uma das vozes mais ativas em defesa da Floresta Amazônica. No auge da seca de 2005, o poeta resumiu numa frase o sentimento daqueles que, como ele, gostariam de salvar um bem precioso: "A floresta tem a vocação da dádiva, gosta de entregar, de ser bondosa para com seus filhos. Mas gosta de ser bem tratada e respeitada. Ela gosta de ser usada, mas não abusada."

O ANIMAL DA FLORESTA

De madeira lilás (niguém me crê)
se fez meu coração. Espécie escassa
de cedro, pela cor e por conter
no seu âmago a morte que o ameaça.
Madeira dói?, pergunta quem me vê
os braços verdes, os olhos cheios de asas.
Por mim responde a luz do amanhecer
que recobre de escamas esmaltadas
as águas fundas que me deram raça
e cantam nas raízes do meu ser.
No crepúsculo estou da ribanceira,
entre estrelas e o chão que me abençoa
as nervuras. Já não faz mal que doa
meu bravo coração, de água e madeira.                            
(Thiago de Mello)

RUMO

Somente sou quando em verso.
Minhas faces mais diversas
são labirintos antigos
que me confundem e perdem.

Meu pensamento perfura
muros de nada, à procura
do que não fui nem serei.

Ante a carne fêmea e branca
meu corpo se recompõe
ofertando o que não sou.

Meu caminhar e meus gestos
mal e apenas anunciam
minha ainda permanência.

Para chegar até onde
não me presumo, mas sou,
sigo em forma de palavra.
(Thiago de Mello - De Silêncio e Palavra)

POEMA CONCRETO

O que tu tens e queres
saber (porque te dói),
não tem nome. Só tem
(mas vazio) o lugar
que abriu em tua vida
a sua própria falta.

A dor que te dói pelo avesso,
perdida nos teus escuros.
É como alguém que come
não o pão, mas a fome.

Sofres de não saber
o que não tens e falta
num lugar que nem sabes.
Mas que é na tua vida,
quem sabe é  em teu amor.

O que tu tens, não tens.
(Thiago de Mello - De Vento Geral)

Pérolas Esparsas


"A poesia nos deve surpreender pelo seu delicado excesso e não porque é diferente. Os versos devem tocar nosso próximo, como se ele tivesse lembrado algo que nas noites dos tempos já conhecia em seu coração. A beleza de um poema não está na capacidade que ele tem de deixar o leitor contente. A poesia é sempre uma surpresa, capaz de nos tirar a respiração por alguns momentos. Ela deve permanecer em nossas vidas como o pôr-do-sol: algo milagroso e natural ao mesmo tempo."
John Keats (1785 -  1821), poeta inglês

"O inverno cobre minha cabeça,
mas uma eterna primavera
vive em meu coração."
Victor Hugo (1802 - 1885), poeta francês

"Qualquer indivíduo é mais
importante do que a Via Láctea."
Nelson Rodrigues (1912 - 1980), dramaturgo brasileiro

"O amor é uma flor delicada,
mas é preciso ter coragem de
ir colhê-la à beira de um precipício."
Stendhal (1783 - 1842), escritor francês

"No homem, o desejo gera o amor.
Na mulher, o amor gera o desejo."
Jonathan Swift (1667 - 1745), escritor irlandês

"A ciência é grosseira, a vida é sutil,
e é para corrigir essa distância que
a literatura nos importa."
Roland Barthes (1915 - 1980),  intelectual francês

"A árvore, quando está sendo cortada,
observa com tristeza que o cabo do
machado é de madeira."
Provérbio árabe
 
 
 

sexta-feira, 25 de maio de 2012

NOVOS PARÂMETROS DE CORREÇÃO DO ENEM


O MEC (Ministério da Educação), responsável pela edição, aplicação e correção das provas, anunciou, nesta quinta-feira, novos parâmetros de correção do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), para garantir a confiabilidade das notas.


A nota da redação do Enem vale 1.000 pontos divididos em cinco quesitos avaliados em até 200 pontos cada (domínio da língua, capacidade de argumentação e compreensão do tema, entre outros). Até o ano passado, a prova era examinada por dois professores e a diferença entre as avaliações deles não podia ultrapassar 300 pontos. Se isso acontecesse, um terceiro corretor era convocado para avalizar o resultado.

A partir de agora, a margem de erro foi reduzida para 200 pontos. Os avaliadores também não podem apresentar diferença maior do que 80 pontos em cada um dos cinco critérios de análise. Caso a discordância persista, outros três professores serão chamados para fazer a revisão do exame. Vale ressaltar que os avaliadores são independentes, ou seja, um não conhece a avaliação do outro.

A mudança será implementada a partir da próxima avaliação, marcada para os dias 3 e 4 de novembro de 2012.

O manual do aluno deste ano estará disponível em julho e fornecerá exemplos de redações consideradas adequadas aos moldes do Enem, com as normas de correção.

INSCRIÇÕES

As inscrições para o Enem 2012 estarão abertas a partir da próxima segunda-feira (28) até 15 de junho. Como já foi mencionado, a prova ocorrerá nos dias 3 e 4 de novembro.

O gabarito da prova será divulgado no dia 7 de novembro e o resultado em 28 de dezembro. A prova será aplicada em 140 mil salas de aula.


COMPETÊNCIAS DO ENEM

São cinco as competências avaliadas na prova de redação, conforme se verifica a seguir:

1. Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita

Demonstrar um conhecimento mínimo de regras básicas de escrita na nossa língua, ou seja, respeito às normas gramáticais.

2. Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo

Essa competência envolve a compreensão da proposta de redação (tema) na elaboração de um texto dissertativo-argumentativo em prosa. Interessa nesse quesito, que o aluno adote um posicionamento crítico e reflexivo diante de determinada questão ou expresse sua opinião de modo claro e coerente. Para tanto, deve valer-se de seu conhecimento de mundo, adquirido através da leitura de textos diversificados, principalmente os jornalísticos.

3. Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista

O aluno deve ser capaz de selecionar dados, informações ou argumentos que sejam pertinentes ao tema proposto. Além disso, é importante saber organizar as ideias a partir dos argumentos escolhidos, a fim de apresentar uma interpretação lógica e coerente para a situação-problema em questão, a fim de demonstrar seu ponto de vista em relação ao tema proposto.

4. Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação

Organizar os argumentos no texto de modo lógico e coerente. Para isso, é fundamental utilizar os chamados elementos de coesão textual e/ou os organizadores argumentativos, como, por exemplo, advérbios, locuções adverbiais e conjunções, estabelecendo relações adequadas entre termos e também entre os parágrafos, sobretudo no desenvolvimento do texto, a fim de que o sentido seja construído de maneira clara e objetiva.

5. Elaborar proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural

Toda a construção da argumentação deve ter como objetivo a apresentação de possíveis soluções para a questão levantada, que devem resultar de uma relação lógica e coerente com os argumentos, opiniões, informações e dados apresentados no desenvolvimento.





domingo, 13 de maio de 2012

OS FASCINANTES ANOS 20

      Mais uma vez, o projeto Os Fascinantes Anos 20 foi realizado com total sucesso! O trabalho foi desenvolvido pelos alunos do 3º ano de Informática do Instituto Federal do Piauí, campus Floriano, com orientação da professora de Língua Portuguesa, Luciana Neiva.
     O objetivo desse projeto é trabalhar os principais acontecimentos históricos e culturais que antecederam a Semana de Arte Moderna, ocorrida em fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo.
     Para tanto, a turma foi dividida em quatro grupos, que produziram: um mural com as principais Vanguardas Europeias, pesquisas sobre a cultura e os fatos históricos mais marcantes do início do Século XX, uma peça teatral sobre A Semana de Arte Moderna e, ainda, a produção de um filme baseado no conto de Stanislaw Ponte Preta, À beira mar.
     As atividades foram apresentadas através de um jornal falado.
    Parabéns a todos os alunos da turma 4.311!

Grupo 1: Apresentação das Vanguardas Europeias

Grupo 2: Principais fatos históricos e culturais da década de 20

Gurpo 3: Produção do filme À beira mar

Capa do filme À beira mar

Grupo 4: Peça Teatral sobre a Semana de Arte Moderna


Gurpo 4: Semana de Arte Moderna

Apresentadores do Jornal Falado: Gabriel e Francisca

domingo, 6 de maio de 2012

IFPI ITINERANTE 2012


       No dia 25 de abril de 2012, o IFPI Itinerante esteve presente no bairro Campo Velho, em Floriano, para mais uma atividade de extensão. Na ocasião, diversos serviços foram prestados à comunidade local e aos alunos das escolas Antônio Waquim, Antônio Nivaldo e APAE, como: aferição de pressão, tipagem sanguínea, prevenção bucal, tira-gosto literário, contações de histórias infantis e informações sobre os cursos ofertados pela Instituição.
       Mais uma vez, sentimos que a escola cumpriu sua função social, para além dos seus muros! Parabéns a todos os funcionários e alunos do Instituto Federal que fazem esse projeto acontecer!

Exposição e divulgação do Curso de Licenciatura Plena em Biologia

Divulgação do Curso Técnico em Meio Ambiente - alunos do 1º ano

Tira-gosto literário: um estímulo à leitura de poesias

Contação de histórias e teatro infantil

Público infantil - contação de histórias


Mesa-redonda sobre as DST's (doenças sexualmente transmissíveis)

Prevenção bucal - alunos da APAE - Floriano



Aferição da pressão arterial e tipagem sanguínea


Tira-gosto Literário
 
 

sábado, 24 de março de 2012

FIGURAS DE LINGUAGEM


O sentido denotativo é o sentido usual, dicionarizante e literal das palavras; independente do contexto em que a palavra é usada. Ex. Perdi a chave do apartamento (chave = artefato de metal que movimenta a lingüeta das fechaduras). O sentido conotativo ou figurado é o sentido particular, “especial” que a palavra adquire em função de um contexto específico em que ela é usada. Ex: Ana tem a chave do meu coração.

1. Figuras de Palavras ou tropos: este grupo é constituído por figuras que têm sua força expressiva centrada no sentido contextual, ou seja, no sentido que as palavras, expressões e frases adquirem quando participam da constituição dos textos. São elas:

1.1. Comparação: Consiste em estabelecer, por meio de palavras comparativas (como, igual a, tal, tal qual, etc.) uma relação de semelhança entre dois elementos, atribuindo a um deles características presentes no outro. Ex: “Minha dor é inútil, como uma gaiola numa terra onde não há pássaros” (dor inútil se assemelha à gaiola onde não há pássaros, também inútil).

1.2. Metáfora: Emprego de uma palavra ou expressão com um sentido diferente do usual, a partir de uma comparação subentendida entre dois elementos. Ex: “O circo era uma balão aceso, com musica e pasteis na entrada.”

Observe: há três possibilidades de uso da linguagem figurada:

a) “A estradinha era como uma serpente entre as colinas verdes” (comparação).

b) “A estradinha era uma serpente entre as colinas verdes” (metáfora = uso do verbo ser “era” para fazer a metáfora).

c) “A estradinha serpenteava entre as colinas verdes” (metáfora = consiste em deixar implícita, na própria palavra metafórica).

1.3. Metonímia: Substituição (troca) de uma palavra por outra, quando entre ambas existe uma proximidade de sentidos que permite essa troca. Tal substituição realiza-se de inúmeros modos:

a) O continente pelo conteúdo e vice-versa: “Tomamos um cálice de licor” (um cálice = o conteúdo de um cálice).

b) A causa pelo efeito e vice-versa: “Sou alérgico a cigarro" (cigarro = a fumaça).

c) O lugar de origem ou de produção pelo produto: “Comprei uma garrafa do legitimo porto" (porto = vinho da cidade do Porto, em Portugal).

d) O autor pela obra: “Ela aprecia ler Fernando Pessoa” (Fernando Pessoa = a obra de Fernando Pessoa).

e) O abstrato pelo concreto e vice-versa: “Não devemos contar com o seu coração” (coração = sentimento).

f) O Símbolo pela coisa simbolizada: “Não te afaste da cruz” (cruz = cristianismo).

g) A matéria pelo produto e vice-versa: “Lento o bronze soa” (bronze = sino).

h) O inventor pelo invento: “Edson ilumina o mundo” (Edson = a energia).

i) A coisa pelo lugar: “Vou à Prefeitura” (prefeitura = ao edifício da prefeitura).

j) O instrumento pela pessoa que o utiliza: “Ele é um bom garfo” (bom garfo = guloso).

Observe: Na metáfora, estabelece-se uma associação de idéias por meio de uma comparação subentendida (comparação mental = entre dois elementos ou seres ou fatos – ex: “a estrada era uma serpente”). Na metonímia, uma palavra é usada no lugar de outra, por haver entre elas uma proximidade de sentidos.

1.4. Sinédoque (metonímia): Substituição de um termo por outro, havendo ampliação ou redução do sentido usual da palavra. Encontramos sinédoque nos seguintes casos:

a) O todo pela parte e vice-versa: “A cidade inteira viu assombrada, de queixo caído, o pistoleiro sumir de ladrão, fugindo nos cascos de seu cavalo” (a cidade inteira = o povo; cascos = parte das patas do cavalo).

b) O singular pelo plural e vice-versa: “O paulista é tímido” (paulista = todos os paulista).

c) O indivíduo pela espécie (nome próprio pelo nome comum: “Para os artistas ele foi um mecenas” (mecenas = protetor).

1.5. Catacrese: É um tipo especial de metáfora, é uma espécie de metáfora desgastada, em que já não se sente nenhum vestígio de inovação. “folhas de livro; dente de alho; céu da boca; pé da mesa; braço do sofá; leito do rio, etc."

1.6. Sinestesia: Consiste na fusão de sensações diferentes numa mesma expressão. “Olivia era atraente, tinha uns olhos quentes, uma boca vermelha de lábios cheios” (olhos = sensação visual, quentes = sensação tátil – térmica).

1.7. Antonomásia: Ocorre antonomásia quando designamos uma pessoa por uma qualidade, características ou fato que a distingue. ”O rei do futebol viajou para a Europa" (rei do futebol = Pelé).

1.8. Alegoria: Acúmulo de metáforas referindo-se ao mesmo objeto. “A vida é uma ópera, é uma grande ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimários, quando não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença do mesmo baixo e dos mesmos comprimários. Há coros numerosos, muitos bailados...”
2. Figuras de pensamento: As figuras de pensamento são recursos de linguagem que se referem ao significado das palavras, ao seu aspecto semântico.
2.1. Antítese: Aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos. Ex. Amigos e inimigos estão, amiúdes, em posições trocadas. Uns nos querem mal, e fazem nos bem. Outros nos almejam o bem e nos trazem o mal.

2.2. Apostrofe: Invocação de uma pessoa ou algo, real ou imaginário, que pode estar presente ou ausente. Corresponde ao vocativo na analise sintática e é utilizada para dar ênfase à expressão. Ex. “Deus! Ó Deus! Onde estás, que não respondes?”

2.3. Paradoxo: Ocorre paradoxo não apenas na aproximação de palavras de sentido oposto, mas de ideias que se contradizem. É uma verdade enunciada com aparência de mentira. “O mito é o nada que é tudo.”

2.4. Eufemismo: Uma palavra ou expressão é empregada para atenuar uma verdade tida como penosa, desagradável ou chocante. Ex.”O rapaz saltou da ponte da vida” (= morreu).

2.5. Gradação: Sequência de palavras que intensificam uma mesma idéia. Ex. “ O velho fazendeiro sentia sua influencia minguar. Os fazendeiros vizinhos, os pequenos comerciantes do vilarejo, seus próprios peões, os humildes camponeses da região, ninguém mais tinha por ele o respeito de outros tempos.” (note a carga semântica vai decrescendo: fazendeiros, pequenos comerciantes, peões, humildes camponeses, ninguém).

2.6. Hipérbole: Exagero intencional, com a finalidade de intensificar a expressividade e, assim impressionar o ouvinte ou leitor. Ex.”Rios te correrão dos olhos, se chorares.”

2.7. Ironia: Figura por meio da qual se enuncia algo, mas o contexto permite ao leitor (ou ouvinte) entender o oposto do que se está afirmando. Ex. “Moça linda, bem tratada, três séculos de família, burra como uma porta, um amor.”

2.8. Prosopopeia ou personificação: consiste em atribuir a seres inanimados (sem vida) características humanas ou irracionais. Ex: “Um frio inteligente... percorria o jardim.”

2.9. Perífrase: Torneio de palavras para expressar algum objeto, acidente geográfico, indivíduo ou situação que não se quer nomear. Ex: “Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil....” (cidade maravilhosa = Rio de Janeiro).
3. Figuras de sintaxe: As figuras de sintaxe ou de construção dizem respeito a desvios em relação à concordância entre os termos da oração, sal ordem, possíveis repetições ou omissões.

3.1. Assíndeto: Orações ou palavras que deveriam vir ligadas por conjunções coordenativas aparecem justapostas ou separadas por vírgulas. Ex: “fere, mata, derriba denodado...”

3.2. Elipse: Omissão de um termo ou oração que facilmente podemos identificar ou subentender no contexto. Ex: “Veio sem pinturas, em vestido leve, sandálias coloridas” (omissão: ela ou ele).

3.3. Zeugma: Um termo já expresso na frase é suprimido, ficando subentendido sua repetição. Ex: “Foi saqueada a vila, e assassinados os partidários dos Filipes” (supressão = “foram”).

3.4. Anáfora: Repetição intencional de palavras, no início de um período, frase ou verso. Ex: “Grande no pensamento, grande na ação, grande na glória, grande no infortúnio, ele morreu desconhecido e só”.

3.5. Pleonasmo: Repetição da mesma idéia, isto é, redundância de significado. Ex: “Morrerás morte vil na mão de um forte.”

3.6. Polissíndeto: Repetição enfática de uma conjunção coordenativa mais vezes do que exige a norma gramatical (geralmente a conjunção “e”). Ex. “E saber, e crescer, e ser, e haver, e perder, e sofrer, e ter horror.”

3.7. Anástrofe: Simples inversão de palavras vizinhas (determinante x determinado). Ex. “Tão leve estou que já nem sombra tenho.” (tão leve estou = estou tão leve).

3.8. Hipérbato: Inversão complexa de membros da frase. Ex. “Passeiam, à tarde, as belas na Avenida.”(= as belas passeiam na avenida á tarde).

3.9. Anacoluto: Interrupção do plano sintático com que se inicia a frase, alternando-lhe a sequência lógica. A construção do período deixa um ou mais termos desprendidos dos demais e sem função sintática definida. Ex. “Essas empregadas de hoje, não se pode confiar nelas.”

3.10. Silepse: a concordância não é feita com as palavras, mas com a ideia a elas associada. Temos:

a) Silepse de gênero: Discordância entre os gêneros gramaticais (feminino e masculino). Ex. “V. Exª. parece magoado” (V. Exª = magoada).

b) Silepse de número: Discordância envolvendo o número gramatical (singular e plural). Ex: “Corria gente de todos lados, e gritavam.”

c) Silepse de pessoa: Discordância entre o sujeito expresso e a pessoa verbal. Ex: “Os brasileiros somos responsáveis pelo meio ambiente.”

4. Figuras de som: chamam-se figuras de som ou de harmonia os efeitos produzidos na linguagem quando há repetição de sons, ou ainda quando se procura “imitar” sons produzidos por coisas ou seres.

4.1. Aliteração: Repetição da mesma consoante ou de consoantes similares, geralmente em posição inicial da palavra. Ex: “Toda gente homenageia Januária na janela”(som do Ge/ já).

4.2. Assonância: Repetição da mesma vogal ao longo de um verso ou poema. Ex. “ A ponte aponta/ e se desaponta./ A tontinha tenta/ limpar a tinta/ ponto por ponto/ pinta por pinta...”(repetição da vogal “o”, “i”).

4.3. Paronomásia: Reprodução de sons semelhante sem palavras de significações diversas. Ex: “Que a morte apressada seja tributo do entendimento, e a vida larga atributo da ignorância.”

4.4. Onomatopeia: Uma palavra ou conjunto de palavras imita um ruído ou som. Ex. “Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-, eterno.”


terça-feira, 20 de março de 2012

CUIDADOS BÁSICOS COM A ESTÉTICA DA REDAÇÃO

1.1 Preencha os itens do cabeçalho com letra legível.

1.2.Centralize o título na primeira linha, sem aspas e sem grifo. O título pode apresentar interrogação desde que o texto responda à pergunta.

1.3. Pule uma linha entre o titulo e o texto, para então iniciar a redação.

1.4. Faça parágrafos distando mais ou menos dois centímetros da margem e mantenha-os alinhados.

1.5. Não ultrapasse as margens (direita e esquerda) e também não deixe de atingi-las.

1.6. Evite rasuras e borrões. Caso você erre, deverá anular o erro com um traço apenas.

1.7. Apresente letra legível, tanto de fôrma quanto cursiva.

1.8. Distinga bem as maiúsculas das minúsculas.

1.9. Evite exceder o número de linhas pautadas ou pedidas como limites máximos e mínimos.

1.10. Utilize apenas com caneta preta ou azul. O rascunho pode ser feito a lápis e rasurado.

Outras dicas importantes!

Números

Para indicar idade, escreva por extenso até o nº 10. Do nº 11 em diante use algarismos.

As datas, horas e distâncias devem ser escritas em algarismos: 10h30min, 12h, 10m, 16m30cm, 10km (m, h, km, I, g, kg).

Palavras Estrangeiras

Se estiverem incorporadas aos hábitos linguísticos devem vir sem aspas. Ex: marketing, merchandising, software, dark, punk, status, offlce-boy, hippie, show etc.

Aspectos avaliados na redação

Aspecto estético

a) legibilidade da letra
b) paragrafação
c) margens regulares
d) travessão
e) ausência de rasuras

Aspecto gramatical

a) ortografia
b) acentuação
c) concordância
d) pontuação
e) colocação pronominal
f) regência verbal

Aspecto estilístico

a) repetição de palavras
b) frases longas
c) emprego de palavras desnecessárias
d) uso inadequado do pronome “onde”
e) presença de elementos (conectivos) da língua falada.
f) Emprego repetitivo das palavras “que”, “porque” e “mas”
g) prolixidade

Aspecto estrutural

Este aspecto é diferenciado para cada redação, principalmente se os gêneros forem diferentes. Este é o aspecto principal da avaliação.



segunda-feira, 19 de março de 2012

PEDACINHO DO CÉU

Não há lugar neste mundo
Para o febril pensamento de paz.
A discórdia está em todo lugar,
Inclusive entre aqueles que a desejam.

Não há lugar neste mundo
Para a insana vontade de amar.
O ódio povoa todos os corações,
Inclusive daqueles que se dizem amantes.

Não há lugar neste mundo
Para a equivocada e invocada Justiça.
Dois pesos e duas medidas servem de parâmetro,
Inclusive para os que se dizem justos.

Onde, então, é o meu lugar?
Se aqui não me encontro (sinto-me entre feras!).
Pode ser que o ideal (apenas uma quimera!),
Fosse evadir para um lugar mitológico,
Tipo Pasárgada do amigo Manuel,
Onde eu também seria amiga do rei
E teria um pedacinho do céu.

Luciana Neiva

PRÁTICAS LEITORAS NO INSTITUTO FEDERAL DO PIAUÍ - CAMPUS FLORIANO

Contação de histórias infantis na Casa da Leitura - Semana Nacional do Livro e da Biblioteca 2010

                                            

Troca-troca Literário - Semana Nacional do Livro e da Biblioteca 2011

                                             
           
                               
Sarau Literário - Semana Nacional do Livro e da Biblioteca 2010

                                

Projeto Ler é preciso 2010/2011
                            
        

Projeto IFPI ITINERANTE 2011                            


Projeto IFPI ITINERANTE 2011 - Bairro Alto da Cruz
Após uma pesquisa realizada no Instituto Federal do Piauí, campus Floriano, no ano de 2008, com 138 alunos do ensino técnico integrado ao médio, constatou-se que 60% dos alunos não liam livros de literatura e somente 12% estavam acima de média per capta de leitura voluntária existente no Brasil, que é de 1,3 livros habitante/ano . A partir desses dados, gestores, coordenadores e professores sentiram necessidade de criar um espaço destinado à leitura de prazer estético, a fim de que o aluno se sentisse atraído pelo livro. O pensamento inicial foi o de uma sala de leitura, mas em 26 de novembro daquele ano, com o incentivo da direção geral e com a ajuda de inúmeros voluntários de nossa escola, foi inaugurada a Casa da Leitura, que tem oportunizado aos estudantes e à comunidade em geral a interação efetiva com o livro e com a leitura.


A Casa da Leitura conta com um sistema computacional, chamado Biblioteca Fácil 6.9, capaz de gerenciar um acervo de até 12.000 exemplares, cadastrar leitores, editoras, autores, além de classificar as obras quanto ao gênero, bem como relacionar a quantidade de títulos existentes. Através desse softwaare podemos projetar novas ações, avaliar as que estão em andamento e traçar o perfil leitor de nossa escola como, por exemplo, saber que temos cadastrados , entre alunos e servidores, 643 pessoas, sendo 396 mulheres e 274 homens. Acompanhar quais são os livros mais emprestados , a quantidade anual de empréstimo dos livros e de cada aluno/servidor em particular, entre outros dados, que são gerenciados por três alunos bolsistas (um em cada turno), amparados pela bibliotecária e pela coordenação de apoio ao ensino.

O acervo inicial da Casa da Leitura era de 1.200 livros, todos doados pela comunidade. Em 2009, através de compras efetuadas pela escola e de doações, o acervo passou para 1.992 títulos e, em junho de 2010, para 2.468, (1.513 livros de literatura adulta e 955 de literatura infanto-juvenil). Até março de 2011, contabilizamos um total de 2.683 livros (1.630 de literatura adulta e 1.053 de literatura infanto-juvenil), ou seja, em menos de três anos, foram adquiridos 1.483 novos exemplares, sendo que a maioria deles foi sugerida pelos próprios alunos e servidores, através de uma caixa de sugestões que fica na Casa da Leitura. Essa estratégia é importante porque atende todos os gostos literários e atrai aqueles que ainda não estão habituados a ler com frequência.

Em 2010, foram comprados 168 novos títulos, desde clássicos da literatura universal e nacional, da literatura piauiense, folhetos de cordéis e da literatura atual, como O Símbolo Perdido de Daw Brown, a coleção completa de A Mediadora de Meg Cabot, Diários do Vampiro de L. J. Smith e a coleção completa de Gossip Girl de Cecily Von Ziegesar. Já em 2011, foi feita uma compra de mais 147 títulos, muitos deles de ficção científica, humor, investigação, aventura e suspense, visando atrair o público masculino que em 2010 representava 21,72% dos leitores contra 78,28% do público feminino. Atualmente, números indicam que essa estratégia tem sido positiva, pois elevou para 34% os empréstimos feitos por homens. Esses dados ainda confirmam a estatística nacional de que as mulheres (55%) leem mais que os homens (45%), mas também viabilizam estarmos no caminho certo para reverter esse quadro.


Segundo a LDB Lei 9.394/96, professores de todas as áreas devem ter o compromisso de promover a produção da leitura e da escrita na escola e isso tem ocorrido entre nós, através do apoio de gestores e servidores de diversas áreas, porém sabemos que a maioria dos educadores atribui essa missão exclusivamente aos professores de Língua Portuguesa que, muitas vezes, sentem-se “convocados” a buscar novas alternativas de trabalho e que, por isso mesmo, acabam sendo mediadores de ações de incentivo à leitura, como as descritas abaixo :

1- Projetos de Leitura

• Projeto Leitura não tem idade: desenvolvido durante o ano de 2009, envolveu alunos de 2º ano do Curso Técnico em Edificações Integrado ao Médio e os idosos assistidos pela API (Assistência à Pessoa Idosa), da Prefeitura Municipal. Esse projeto teve como objetivo levar a leitura a essa parcela da população, que raramente entrou contato com os livros, bem como promover a integração entre a juventude e a pessoa idosa, resgatando, através do conto e das dramatizações, o respeito e a dignidade, a fim de promover a valorização dos idosos e de sua experiência.

• Projeto Cordel na Casa da Leitura: teve como principal objetivo desenvolver o gosto pela leitura e pela escrita e foi desenvolvido com 40 alunos do Curso de Informática Integrado ao Ensino Médio, na modalidade de Jovens e Adultos – PROEJA, no primeiro semestre de 2009. Privilegiou o gênero textual cordel por fazer parte da identidade cultural do nordestino e por ser de fácil acesso aos nossos estudantes. As dez oficinas contribuíram para o desenvolvimento de muitas habilidades e competências, entre elas, a leitura efetiva, a produção oral e escrita de textos, a paráfrase e a expressão corporal. Alunos que não tinham o hábito de freqüentar bibliotecas, salas de leitura, passaram, a partir de então, não só a frequentar mas a ler, como ficou constato, através dos mapas de empréstimos que, a aluna Valdeane Dias de Sousa leu, entre 24 de agosto de 2009 (após o encerramento do projeto) a 20 de agosto de 2010, 53 livros, o que equivale a 4,4 livros/mês, ficando muito acima da média nacional, onde o número de livros indicados pela escola é de 3,4 habitante/ano.

• Projeto Ler é preciso: O projeto Ler é preciso teve início em 2010 e já está no segundo ano de execução. Foi pensado para atender alunos do 1º ano do Ensino Técnico Integrado ao Médio que possuem pouco ou nenhum hábito de leitura. Os encontros ocorrem uma vez por semana na Casa da Leitura, no turno contrário às aulas, com duração de duas aulas de 50 minutos. Ao todo, são três professoras de Língua Portuguesa e uma coordenadora de apoio ao ensino que conduzem, preparam, refletem e reorganizam o plano de ação anual, que contempla, a cada bimestre, um gênero textual diferente - poesia, conto, crônica e romance - que são trabalhados através de sequências didáticas , as quais buscam desenvolver, além da competência leitora (principal objetivo), habilidades relacionadas à comunicação e expressão, como a paráfrase oral e escrita, a dramatização, a pesquisa, a produção de textos, as rodas de leitura, entre outras. Todo esse trabalho é coroado ao final de cada ano com a publicação de um livro contendo os textos produzidos pelos alunos. Em 2010, foi lançado o livro de contos, crônicas e paráfrases Em busca da palavra perfeita, durante a Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, ocasião em que estiveram presentes familiares, amigos, professores e representantes da comunidade em geral. Para este ano, está prevista a produção de um livro de poesias, que também deverá ser lançado em outubro. Com este projeto pudemos constatar que a leitura está intimamente relacionada ao rendimento escolar. Na turma de Eletromecânica a média de livros lidos por aluno foi de 6,45 e o rendimento escolar apresentou uma média anual de 6,5; na turma de Edificações a média de livros foi de 9,1 por aluno, e a média anual de 6,9; já a turma de Informática leu 11,5 livros ao ano e o rendimento escolar foi de 7,7. Ao nos questionarmos sobre o que poderia ter causado essas diferenças, fizemos um levantamento na Casa da Leitura e constatamos que a turma que menos leu tinha um grande número de alunos não cadastrados, o que nos fez tomar como primeira ação no início de 2011 o cadastramento dos alunos ingressantes no projeto.


2- Realização da Semana Nacional do Livro e da Biblioteca

• O IFPI, campus Floriano, sempre comemorou a Semana do Livro e da Biblioteca, mas a partir de 2009 as atividades culturais tornaram-se mais diversificadas e, por que não dizer, uma tradição aguardada por alunos, servidores e pela comunidade em geral. Nesses dois anos, foram apresentadas dramatizações de peças infantis; contações de estórias infantis e teatro de fantoches na Casa da Leitura para alunos do ensino fundamental de escolas públicas e privadas de Floriano; apresentação teatral, em todos os turnos, de obras da literatura brasileira e portuguesa; filmes; publicação do livro de contos, crônicas e paródias Em busca da palavra perfeita dos alunos do 1º ano do Curso Técnico Integrado ao Médio em Edificações, Eletromecânica e Informática; I e II Sarau de Poesia e Música; e, ainda, a I Maratona de Leitura - evento literário pioneiro em nossa Instituição que consistiu na leitura integral e coletiva da obra A confissão de Lúcio do escritor português Mário de Sá Carneiro, com posterior reflexão e debate. Todas essas atividades tiveram (e têm) como principal objetivo incentivar o gosto pela leitura, pelas manifestações artísticas e culturais como instrumento de inserção social, visando atingir todo o nosso alunado, servidores e cidadãos da comunidade local que não têm acesso ao livro e à biblioteca.


3- Relatórios de Leitura

• Embora nosso foco esteja centrado na leitura de prazer estético, sabemos que não podemos fugir às exigências do sistema educacional que cobra de nossos educandos, em vestibulares e concursos, um vasto saber sobre obras da literatura brasileira e portuguesa. Atentos ao nosso papel de professores e mediadores, utilizamos os relatórios como um instrumento a mais de incentivo à leitura os quais são realizados bimestralmente pelos alunos que cursam o último ano do ensino técnico integrado ao médio e se preparam para ingressar no ensino superior. Procuramos alternar obras pedidas pelos professores com aquelas que são escolhidas livremente pelos alunos. Os relatórios são feitos em sala de aula com o apoio de dicionários e contém quatro partes: identificação da obra (título, autor, gênero); resumo; opinião pessoal / reação / reflexão; e novo vocabulário (significado e definição). Como o público alvo desta atividade já passou por uma série de outras atividades de leitura ao longo dos três anos na instituição, eles demonstram enorme interesse em atividades que envolvam leitura e escrita e costumam cobrar dos professores a próxima data para a produção de novos relatórios.

A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (2008) mostra que a leitura ocupa o quinto lugar nos momentos de lazer do brasileiro, que prefere assistir à televisão, ouvir música, descansar e ouvir rádio a ler. É papel da escola (mas não somente dela) modificar essa realidade cultural e desenvolver junto à comunidade habilidades de compreensão e expressão para o exercício pleno da cidadania. Sabemos que analfabeto não é só aquele que não decodifica a palavra escrita, mas também aquele que não entende o que lê. O elevado índice de analfabetos funcionais se dá justamente pela falta do hábito da leitura que restringe o vocabulário e conduz às dificuldades generalizadas de compreensão. Por sua vez, a baixa leitura influi nas interações sociais nos diferentes contextos em que a pessoa atua, afetando o seu desenvolvimento pessoal e profissional, contribuindo, assim, para o aumento da desigualdade social.

Com o intuito de diminuir as diferenças sociais originadas pela falta de compreensão leitora é que o IFPI, campus Floriano, tem se comprometido com o desenvolvimento do hábito de ler e da leitura efetiva entre seus estudantes e comunidade em geral e os resultados obtidos até junho de 2011 evidenciam que nossa escola tornou-se promotora da leitura; algo fácil de provar, quando examinamos os mapas de empréstimos da Casa da Leitura e constatamos que, em 2010, alunas como Maria Carolina de Oliveira leu 128 livros, Bruna Mota Azevedo, 79; Gildália Sousa Pinto, 68; e Daniela Miranda de Araújo, 62.

Esses dados revelam que nossos jovens gostam de ler, por isso é que a cada dia procuramos oferecer a eles um ambiente aconchegante, com material de apoio variado e de qualidade, capaz de atraí-los continuamente. Neste sentido, acreditamos que o trabalho realizado no Instituto Federal do Piauí tem promovido e disseminado a leitura, obtendo como resultado não só o aumento de leitores efetivos, o aumento da média global e de boas colocações em Olimpíadas e em intercâmbios de língua estrangeira, mas também tem criado elementos de combate à alienação, à ignorância e à exclusão social.

.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

INSTITUTO PRÓ-LIVRO. Retratos da leitura no Brasil. 2008. Disponível em: www.prolivro.org.br. Acesso 14 jul. 2011.

KLEIMAM, Ângela. Oficina de Leitura: Teoria e Prática. 10ª ed. – Campinas, SP: Pontes, 2004.

LDB - Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. LEI No. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. D.O. U. de 23 de dezembro de 1996.

PASQUIER, A. et DOLZ, J. Un decálogo para la enseñanza de la producción de textos. Cultura y Educación, 3, 1996, p. 31-41.

Teatro Infantil "Pluft o Fantasminha" - Semana Nacional do Livro e da Biblioteca 2010

Premiação dos Cinco Mais da Casa da Leitura - 2010

 
Equipe de Apoio da Semana Nacional do Livro e da Biblioteca 2010



Lançamento de livro Semana Nacional do Livro e da Biblioteca 2011

Obs: Os dados desse relato são referentes a 2011.




Luciana Neiva.

domingo, 18 de março de 2012

OS 100 ERROS MAIS FREQUENTES NAS REDAÇÕES

1. "Mal cheiro", "mau-humorado". Mal opõe-se a bem e mau, a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-humorado (bem-humorado). Igualmente: mau humor, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar.


2. "Fazem" cinco anos. Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.

3. "Houveram" muitos acidentes. Haver, como existir, também é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. / Deve haver muitos casos iguais.

4. "Existe" muitas esperanças. Existir, bastar, faltar, restar e sobrar admitem normalmente o plural: Existem muitas esperanças. / Bastariam dois dias. / Faltavam poucas peças. / Restaram alguns objetos. / Sobravam idéias.

5. Para "mim" fazer. Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.

6. Entre "eu" e você. Depois de preposição, usa-se mim ou ti: Entre mim e você. / Entre eles e ti.

7. "Há" dez anos "atrás". Há e atrás indicam passado na frase. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás.

8. "Entrar dentro". O certo: entrar em. Veja outras redundâncias: Sair fora ou para fora, elo de ligação, monopólio exclusivo, já não há mais, ganhar grátis, viúva do falecido.

9. "Venda à prazo". Não existe crase antes de palavra masculina, a menos que esteja subentendida a palavra moda: Salto à (moda de) Luís XV. Nos demais casos: A salvo, a bordo, a pé, a esmo, a cavalo, a caráter.

10. "Porque" você foi? Sempre que estiver clara ou implícita a palavra razão, use por que separado: Por que (razão) você foi? / Não sei por que (razão) ele faltou. / Explique por que razão você se atrasou. Porque é usado nas respostas: Ele se atrasou porque o trânsito estava congestionado.

11. Vai assistir "o" jogo hoje. Assistir como presenciar exige a: Vai assistir ao jogo, à missa, à sessão. Outros verbos com a: A medida não agradou (desagradou) à população. / Eles obedeceram (desobedeceram) aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. / Respondeu à carta. / Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes.

12. Preferia ir "do que" ficar. Prefere-se sempre uma coisa a outra: Preferia ir a ficar. É preferível segue a mesma norma: É preferível lutar a morrer sem glória.

13. O resultado do jogo, não o abateu. Não se separa com vírgula o sujeito do predicado. Assim: O resultado do jogo não o abateu. Outro erro: O prefeito prometeu, novas denúncias. Não existe o sinal entre o predicado e o complemento: O prefeito prometeu novas denúncias.

14. Não há regra sem "excessão". O certo é exceção. Veja outras grafias erradas e, entre parênteses, a forma correta: "paralizar" (paralisar), "beneficiente" (beneficente), "xuxu" (chuchu), "previlégio" (privilégio), "vultuoso" (vultoso), "cincoenta" (cinqüenta), "zuar" (zoar), "frustado" (frustrado), "calcáreo" (calcário), "advinhar" (adivinhar), "benvindo" (bem-vindo), "ascenção" (ascensão), "pixar" (pichar), "impecilho" (empecilho), "envólucro" (invólucro).

15. Quebrou "o" óculos. Concordância no plural: os óculos, meus óculos. Da mesma forma: Meus parabéns, meus pêsames, seus ciúmes, nossas férias, felizes núpcias.

16. Comprei "ele" para você. Eu, tu, ele, nós, vós e eles não podem ser objeto direto. Assim: Comprei-o para você. Também: Deixe-os sair, mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me.

17. Nunca "lhe" vi. Lhe substitui a ele, a eles, a você e a vocês e por isso não pode ser usado com objeto direto: Nunca o vi. / Não o convidei. / A mulher o deixou. / Ela o ama.

18. "Aluga-se" casas. O verbo concorda com o sujeito: Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim que se evitam acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se empregados.

19. "Tratam-se" de. O verbo seguido de preposição não varia nesses casos: Trata-se dos melhores profissionais. / Precisa-se de empregados. / Apela-se para todos. / Conta-se com os amigos.

20. Chegou "em" São Paulo. Verbos de movimento exigem a, e não em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã ao cinema. / Levou os filhos ao circo.

21. Atraso implicará "em" punição. Implicar é direto no sentido de acarretar, pressupor: Atraso implicará punição. / Promoção implica responsabilidade.

22. Vive "às custas" do pai. O certo: Vive à custa do pai. Use também em via de, e não "em vias de": Espécie em via de extinção. / Trabalho em via de conclusão.

23. Todos somos "cidadões". O plural de cidadão é cidadãos. Veja outros: caracteres (de caráter), juniores, seniores, escrivães, tabeliães, gângsteres.

24. O ingresso é "gratuíto". A pronúncia correta é gratúito, assim como circúito, intúito e fortúito (o acento não existe e só indica a letra tônica). Da mesma forma: flúido, condôr, recórde, aváro, ibéro, pólipo.

25. A última "seção" de cinema. Seção significa divisão, repartição, e sessão equivale a tempo de uma reunião, função: Seção Eleitoral, Seção de Esportes, seção de brinquedos; sessão de cinema, sessão de pancadas, sessão do Congresso.

26. Vendeu "uma" grama de ouro. Grama, peso, é palavra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas. Femininas, por exemplo, são a agravante, a atenuante, a alface, a cal, etc.

27. "Porisso". Duas palavras, por isso, como de repente e a partir de.

28. Não viu "qualquer" risco. É nenhum, e não "qualquer", que se emprega depois de negativas: Não viu nenhum risco. / Ninguém lhe fez nenhum reparo. / Nunca promoveu nenhuma confusão.

29. A feira "inicia" amanhã. Alguma coisa se inicia, se inaugura: A feira inicia-se (inaugura-se) amanhã.

30. Soube que os homens "feriram-se". O que atrai o pronome: Soube que os homens se feriram. / A festa que se realizou... O mesmo ocorre com as negativas, as conjunções subordinativas e os advérbios: Não lhe diga nada. / Nenhum dos presentes se pronunciou. / Quando se falava no assunto... / Como as pessoas lhe haviam dito... / Aqui se faz, aqui se paga. / Depois o procuro.

31. O peixe tem muito "espinho". Peixe tem espinha. Veja outras confusões desse tipo: O "fuzil" (fusível) queimou. / Casa "germinada" (geminada), "ciclo" (círculo) vicioso, "cabeçário" (cabeçalho).

32. Não sabiam "aonde" ele estava. O certo: Não sabiam onde ele estava. Aonde se usa com verbos de movimento, apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos?

33. "Obrigado", disse a moça. Obrigado concorda com a pessoa: "Obrigada", disse a moça. / Obrigado pela atenção. / Muito obrigados por tudo.

34. O governo "interviu". Intervir conjuga-se como vir. Assim: O governo interveio. Da mesma forma: intervinha, intervim, interviemos, intervieram. Outros verbos derivados: entretinha, mantivesse, reteve, pressupusesse, predisse, conviesse, perfizera, entrevimos, condisser, etc.

35. Ela era "meia" louca. Meio, advérbio, não varia: meio louca, meio esperta, meio amiga.

36. "Fica" você comigo. Fica é imperativo do pronome tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique: Fique você comigo. / Venha pra Caixa você também. / Chegue aqui.

37. A questão não tem nada "haver" com você. A questão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver com você.

38. A corrida custa 5 "real". A moeda tem plural, e regular: A corrida custa 5 reais.

39. Vou "emprestar" dele. Emprestar é ceder, e não tomar por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. Ou: Vou emprestar o livro (ceder) ao meu irmão. Repare nesta concordância: Pediu emprestadas duas malas.

40. Foi "taxado" de ladrão. Tachar é que significa acusar de: Foi tachado de ladrão. / Foi tachado de leviano.

41. Ele foi um dos que "chegou" antes. Um dos que faz a concordância no plural: Ele foi um dos que chegaram antes (dos que chegaram antes, ele foi um). / Era um dos que sempre vibravam com a vitória.

42. "Cerca de 18" pessoas o saudaram. Cerca de indica arredondamento e não pode aparecer com números exatos: Cerca de 20 pessoas o saudaram.

43. Ministro nega que "é" negligente. Negar que introduz subjuntivo, assim como embora e talvez: Ministro nega que seja negligente. / O jogador negou que tivesse cometido a falta. / Ele talvez o convide para a festa. / Embora tente negar, vai deixar a empresa.

44. Tinha "chego" atrasado. "Chego" não existe. O certo: Tinha chegado atrasado.

45. Tons "pastéis" predominam. Nome de cor, quando expresso por substantivo, não varia: Tons pastel, blusas rosa, gravatas cinza, camisas creme. No caso de adjetivo, o plural é o normal: Ternos azuis, canetas pretas, fitas amarelas.

46. Lute pelo "meio-ambiente". Meio ambiente não tem hífen, nem hora extra, ponto de vista, mala direta, pronta entrega, etc. O sinal aparece, porém, em mão-de-obra, matéria-prima, infra-estrutura, primeira-dama, vale-refeição, meio-de-campo, etc.

47. Queria namorar "com" o colega. O com não existe: Queria namorar o colega.

48. O processo deu entrada "junto ao" STF. Processo dá entrada no STF. Igualmente: O jogador foi contratado do (e não "junto ao") Guarani. / Cresceu muito o prestígio do jornal entre os (e não "junto aos") leitores. / Era grande a sua dívida com o (e não "junto ao") banco. / A reclamação foi apresentada ao (e não "junto ao") Procon.

49. As pessoas "esperavam-o". Quando o verbo termina em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma no, na, nos e nas: As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na, põe-nos, impõem-nos.

50. Vocês "fariam-lhe" um favor? Não se usa pronome átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro do presente, futuro do pretérito (antigo condicional) ou particípio. Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-iam) um favor? / Ele se imporá pelos conhecimentos (e nunca "imporá-se"). / Os amigos nos darão (e não "darão-nos") um presente. / Tendo-me formado (e nunca tendo "formado-me").

51. Chegou "a" duas horas e partirá daqui "há" cinco minutos. Há indica passado e equivale a faz, enquanto a exprime distância ou tempo futuro (não pode ser substituído por faz): Chegou há (faz) duas horas e partirá daqui a (tempo futuro) cinco minutos. / O atirador estava a (distância) pouco menos de 12 metros. / Ele partiu há (faz) pouco menos de dez dias.

52. Blusa "em" seda. Usa-se de, e não em, para definir o material de que alguma coisa é feita: Blusa de seda, casa de alvenaria, medalha de prata, estátua de madeira.

53. A artista "deu à luz a" gêmeos. A expressão é dar à luz, apenas: A artista deu à luz quíntuplos. Também é errado dizer: Deu "a luz a" gêmeos.

54. Estávamos "em" quatro à mesa. O em não existe: Estávamos quatro à mesa. / Éramos seis. / Ficamos cinco na sala.

55. Sentou "na" mesa para comer. Sentar-se (ou sentar) em é sentar-se em cima de. Veja o certo: Sentou-se à mesa para comer. / Sentou ao piano, à máquina, ao computador.

56. Ficou contente "por causa que" ninguém se feriu. Embora popular, a locução não existe. Use porque: Ficou contente porque ninguém se feriu.

57. O time empatou "em" 2 a 2. A preposição é por: O time empatou por 2 a 2. Repare que ele ganha por e perde por. Da mesma forma: empate por.

58. À medida "em" que a epidemia se espalhava... O certo é: À medida que a epidemia se espalhava... Existe ainda na medida em que (tendo em vista que): É preciso cumprir as leis, na medida em que elas existem.

59. Não queria que "receiassem" a sua companhia. O i não existe: Não queria que receassem a sua companhia. Da mesma forma: passeemos, enfearam, ceaste, receeis (só existe i quando o acento cai no e que precede a terminação ear: receiem, passeias, enfeiam).

60. Eles "tem" razão. No plural, têm é assim, com acento. Tem é a forma do singular. O mesmo ocorre com vem e vêm e põe e põem: Ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm; ele põe, eles põem.

61. A moça estava ali "há" muito tempo. Haver concorda com estava. Portanto: A moça estava ali havia (fazia) muito tempo. / Ele doara sangue ao filho havia (fazia) poucos meses. / Estava sem dormir havia (fazia) três meses. (O havia se impõe quando o verbo está no imperfeito e no mais-que-perfeito do indicativo.)

62. Não "se o" diz. É errado juntar o se com os pronomes o, a, os e as. Assim, nunca use: Fazendo-se-os, não se o diz (não se diz isso), vê-se-a, etc.

63. Acordos "políticos-partidários". Nos adjetivos compostos, só o último elemento varia: acordos político-partidários. Outros exemplos: Bandeiras verde-amarelas, medidas econômico-financeiras, partidos social-democratas.

64. Fique "tranquilo". O u pronunciável depois de q e g e antes de e e i exige trema: Tranqüilo, conseqüência, lingüiça, agüentar, Birigüi.

65. Andou por "todo" país. Todo o (ou a) é que significa inteiro: Andou por todo o país (pelo país inteiro). / Toda a tripulação (a tripulação inteira) foi demitida. Sem o, todo quer dizer cada, qualquer: Todo homem (cada homem) é mortal. / Toda nação (qualquer nação) tem inimigos.

66. "Todos" amigos o elogiavam. No plural, todos exige os: Todos os amigos o elogiavam. / Era difícil apontar todas as contradições do texto.

67. Favoreceu "ao" time da casa. Favorecer, nesse sentido, rejeita a: Favoreceu o time da casa. / A decisão favoreceu os jogadores.

68. Ela "mesmo" arrumou a sala. Mesmo, quanto equivale a próprio, é variável: Ela mesma (própria) arrumou a sala. / As vítimas mesmas recorreram à polícia.

69. Chamei-o e "o mesmo" não atendeu. Não se pode empregar o mesmo no lugar de pronome ou substantivo: Chamei-o e ele não atendeu. / Os funcionários públicos reuniram-se hoje: amanhã o país conhecerá a decisão dos servidores (e não "dos mesmos").

70. Vou sair "essa" noite. É este que desiga o tempo no qual se está ou objeto próximo: Esta noite, esta semana (a semana em que se está), este dia, este jornal (o jornal que estou lendo), este século (o século 20).

71. A temperatura chegou a 0 "graus". Zero indica singular sempre: Zero grau, zero-quilômetro, zero hora.

72. A promoção veio "de encontro aos" seus desejos. Ao encontro de é que expressa ma situação favorável: A promoção veio ao encontro dos seus desejos. De encontro a significa condição contrária: A queda do nível dos salários foi de encontro às (foi contra) expectativas da categoria.

73. Comeu frango "ao invés de" peixe. Em vez de indica substituição: Comeu frango em vez de peixe. Ao invés de significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar, saiu.

74. Se eu "ver" você por aí... O certo é: Se eu vir, revir, previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir), convier; se eu tiver (de ter), mantiver; se ele puser (de pôr), impuser; se ele fizer (de fazer), desfizer; se nós dissermos (de dizer), predissermos.

75. Ele "intermedia" a negociação. Mediar e intermediar conjugam-se como odiar: Ele intermedeia (ou medeia) a negociação. Remediar, ansiar e incendiar também seguem essa norma: Remedeiam, que eles anseiem, incendeio.

76. Ninguém se "adequa". Não existem as formas "adequa", "adeqüe", etc., mas apenas aquelas em que o acento cai no a ou o: adequaram, adequou, adequasse, etc.

77. Evite que a bomba "expluda". Explodir só tem as pessoas em que depois do d vêm e e i: Explode, explodiram, etc. Portanto, não escreva nem fale "exploda" ou "expluda", substituindo essas formas por rebente, por exemplo. Precaver-se também não se conjuga em todas as pessoas. Assim, não existem as formas "precavejo", "precavês", "precavém", "precavenho", "precavenha", "precaveja", etc.

78. Governo "reavê" confiança. Equivalente: Governo recupera confiança. Reaver segue haver, mas apenas nos casos em que este tem a letra v: Reavemos, reouve, reaverá, reouvesse. Por isso, não existem "reavejo", "reavê", etc.

79. Disse o que "quiz". Não existe z, mas apenas s, nas pessoas de querer e pôr: Quis, quisesse, quiseram, quiséssemos; pôs, pus, pusesse, puseram, puséssemos.

80. O homem "possue" muitos bens. O certo: O homem possui muitos bens. Verbos em uir só têm a terminação ui: Inclui, atribui, polui. Verbos em uar é que admitem ue: Continue, recue, atue, atenue.

81. A tese "onde"... Onde só pode ser usado para lugar: A casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brincam. Nos demais casos, use em que: A tese em que ele defende essa idéia. / O livro em que... / A faixa em que ele canta... / Na entrevista em que...

82. Já "foi comunicado" da decisão. Uma decisão é comunicada, mas ninguém "é comunicado" de alguma coisa. Assim: Já foi informado (cientificado, avisado) da decisão. Outra forma errada: A diretoria "comunicou" os empregados da decisão. Opções corretas: A diretoria comunicou a decisão aos empregados. / A decisão foi comunicada aos empregados.

83. Venha "por" a roupa. Pôr, verbo, tem acento diferencial: Venha pôr a roupa. O mesmo ocorre com pôde (passado): Não pôde vir. Veja outros: fôrma, pêlo e pêlos (cabelo, cabelos), pára (verbo parar), péla (bola ou verbo pelar), pélo (verbo pelar), pólo e pólos. Perderam o sinal, no entanto: Ele, toda, ovo, selo, almoço, etc.

84. "Inflingiu" o regulamento. Infringir é que significa transgredir: Infringiu o regulamento. Infligir (e não "inflingir") significa impor: Infligiu séria punição ao réu.

85. A modelo "pousou" o dia todo. Modelo posa (de pose). Quem pousa é ave, avião, viajante, etc. Não confunda também iminente (prestes a acontecer) com eminente (ilustre). Nem tráfico (contrabando) com tráfego (trânsito).

86. Espero que "viagem" hoje. Viagem, com g, é o substantivo: Minha viagem. A forma verbal é viajem (de viajar): Espero que viajem hoje. Evite também "comprimentar" alguém: de cumprimento (saudação), só pode resultar cumprimentar. Comprimento é extensão. Igualmente: Comprido (extenso) e cumprido (concretizado).

87. O pai "sequer" foi avisado. Sequer deve ser usado com negativa: O pai nem sequer foi avisado. / Não disse sequer o que pretendia. / Partiu sem sequer nos avisar.

88. Comprou uma TV "a cores". Veja o correto: Comprou uma TV em cores (não se diz TV "a" preto e branco). Da mesma forma: Transmissão em cores, desenho em cores.

89. "Causou-me" estranheza as palavras. Use o certo: Causaram-me estranheza as palavras. Cuidado, pois é comum o erro de concordância quando o verbo está antes do sujeito. Veja outro exemplo: Foram iniciadas esta noite as obras (e não "foi iniciado" esta noite as obras).

90. A realidade das pessoas "podem" mudar. Cuidado: palavra próxima ao verbo não deve influir na concordância. Por isso : A realidade das pessoas pode mudar. / A troca de agressões entre os funcionários foi punida (e não "foram punidas").

91. O fato passou "desapercebido". Na verdade, o fato passou despercebido, não foi notado. Desapercebido significa desprevenido.

92. "Haja visto" seu empenho... A expressão é haja vista e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista suas críticas.

93. A moça "que ele gosta". Como se gosta de, o certo é: A moça de que ele gosta. Igualmente: O dinheiro de que dispõe, o filme a que assistiu (e não que assistiu), a prova de que participou, o amigo a que se referiu, etc.

94. É hora "dele" chegar. Não se deve fazer a contração da preposição com artigo ou pronome, nos casos seguidos de infinitivo: É hora de ele chegar. / Apesar de o amigo tê-lo convidado... / Depois de esses fatos terem ocorrido...

95. Vou "consigo". Consigo só tem valor reflexivo (pensou consigo mesmo) e não pode substituir com você, com o senhor. Portanto: Vou com você, vou com o senhor. Igualmente: Isto é para o senhor (e não "para si").

96. Já "é" 8 horas. Horas e as demais palavras que definem tempo variam: Já são 8 horas. / Já é (e não "são") 1 hora, já é meio-dia, já é meia-noite.

97. A festa começa às 8 "hrs.". As abreviaturas do sistema métrico decimal não têm plural nem ponto. Assim: 8 h, 2 km (e não "kms."), 5 m, 10 kg.

98. "Dado" os índices das pesquisas... A concordância é normal: Dados os índices das pesquisas... / Dado o resultado... / Dadas as suas idéias...

99. Ficou "sobre" a mira do assaltante. Sob é que significa debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se sob a cama. Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: Estava sobre o telhado. / Falou sobre a inflação. E lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o doce, calda. Da mesma forma, alguém traz alguma coisa e alguém vai para trás.

100. "Ao meu ver". Não existe artigo nessas expressões: A meu ver, a seu ver, a nosso ver...