sábado, 14 de agosto de 2021

SONETOS DE CRUZ E SOUSA




Cruz e Sousa foi o principal nome do Simbolismo brasileiro, nasceu em 24 de novembro de 1861. Filho de escravos alforriados, teve acesso à educação formal graças ao apadrinhamento do ex-“dono” de sua mãe. Durante toda a sua vida, sofreu com o preconceito racial, mas lutou contra a escravidão e o racismo. Para sobreviver, trabalhou na Companhia Dramática Julieta dos Santos e, mais tarde, na Estrada de Ferro Central do Brasil, quando adquiriu tuberculose, o que o levou à morte em 19 de março de 1898.

Inefável 

 Nada há que me domine e que me vença 
 Quando a minha alma mudamente acorda... 
 Ela rebenta em flor, ela transborda 
 Nos alvoroços da emoção imensa. 

 Sou como um Réu de celestial sentença, 
 Condenado do Amor, que se recorda 
 Do Amor e sempre no Silêncio borda 
 De estrelas todo o céu em que erra e pensa. 

 Claros, meus olhos tornam-se mais claros 
 E tudo vejo dos encantos raros 
 E de outras mais serenas madrugadas! 

 Todas as vozes que procuro e chamo 
 Ouço-as dentro de mim porque eu as amo
 Na minha alma volteando arrebatadas


Acrobata da Dor

Gargalha, ri, num riso de tormenta,   
como um palhaço, que desengonçado,   
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado   
de uma ironia e de uma dor violenta.  

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,   
agita os guizos, e convulsionado   
salta, gavroche, salta clown, varado   
pelo estertor dessa agonia lenta ...  

Pedem-se bis e um bis não se despreza!    
Vamos! retesa os músculos, retesa   
nessas macabras piruetas d'aço. . .  

E embora caias sobre o chão, fremente,   
afogado em teu sangue estuoso e quente,   
ri! Coração, tristíssimo palhaço.


Música da Morte

A música da Morte, a nebulosa, 
estranha, imensa música sombria, 
passa a tremer pela minh'alma e fria 
gela, fica a tremer, maravilhosa ...

Onda nervosa e atroz, onda nervosa, 
letes sinistro e torvo da agonia, 
recresce a lancinante sinfonia 
sobe, numa volúpia dolorosa ...

Sobe, recresce, tumultuando e amarga, 
tremenda, absurda, imponderada e larga, 
de pavores e trevas alucina ...

E alucinando e em trevas delirando, 
como um ópio letal, vertiginando, 
os meus nervos, letárgica, fascina
...


Vida Obscura

Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro, 
ó ser humilde entre os humildes seres.  
Embriagado, tonto dos prazeres, 
o mundo para ti foi negro e duro

Atravessaste no silêncio escuro 
a vida presa a trágicos deveres 
e chegaste ao saber de altos saberes 
tornando-te mais simples e mais puro.

Ninguém te viu o sentimento inquieto, 
magoado, oculto e aterrador, secreto, 
que o coração te apunhalou no mundo.

Mas eu que sempre te segui os passos 
sei que cruz infernal prendeu-te os braços, 
e o teu suspiro como foi profundo!


Dilacerações

Ó carnes que eu amei sangrentamente, 
ó volúpias letais e dolorosas, 
essências de heliotropos e de rosas 
de essência morna, tropical, dolente...

Carnes, virgens e tépidas do Oriente 
do Sonho e das Estrelas fabulosas, 
carnes acerbas e maravilhosas, 
tentadoras do sol intensamente...

Passai, dilaceradas pelos zelos, 
através dos profundos pesadelos 
que me apunhalam de mortais horrores...

Passai, passai, desfeitas em tormentos, 
em lágrimas, em prantos, em lamentos 
em ais, em luto, em convulsões, em dores...




O USO DAS ASPAS



Não use aspas indiscriminadamente. Elas só devem aparecer nos seguintes casos: citações, arcaísmos, neologismos, gírias, estrangeirismos, expressões populares, ou para indicar que determinada palavras está sendo usada com sentido diferente do habitual.

Para esconder os lucros exorbitantes que tinham com os negócios, as corretoras usavam endereços, contas e registros de empresas "laranjas".

A palavra laranjas significa, no caso, "de fachada".


As aspas também servem para indicar ironia:

Os "revolucionários' não dispensam um uísque importado e carros do último tipo.


REFERÊNCIAS

VALENÇA, Ana. Roteiro de Redação: lendo e argumentando. São Paulo: Scipione, 1998.




terça-feira, 3 de agosto de 2021

SER PROFESSOR É...

Na análise cultural empreendida neste texto, procuro mostrar que muitas são as representações propagadas pela mídia acerca do que é ser professor/a e que boa parte delas estão ligadas à figura do mestre pastoral crítico, do ser vocacionado, abnegado, amoroso e humilde. Inspirada nos Estudos Culturais contemporâneos, recorro à noção de representação definida por autores pós-estruturalistas como Stuart Hall, Marisa Vorraber e Tomás Tadeu da Silva, para problematizar as representações docentes analisadas em vinte e quatro mensagens virtuais veiculadas em sites da internet que homenageiam o Dia dos Professores. Com isto não pretendo fazer um juízo de valor ou definir quais as melhores maneiras de definir os professores, mas, de certa forma, desejo ampliar o foco de análise, mostrando que tais representações - advindas dos discursos pedagógicos críticos em educação - contribuem para formar e reforçar certas identidades docentes narradas desde sempre e para silenciar outras.

Palavras-chave: representação cultural, Estudos Culturais, identidades docentes.


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https://drive.google.com/file/d/1G5j23JzAaf9L8Oaz-tauPb6BWUJgnn7G/view?usp=sharing

A PRODUÇÃO DE TEXTOS NA SALA DE AULA: UMA ANÁLISE DOS MECANISMOS DA COESÃO TEXTUAL

 Este artigo se insere na área de Linguística Textual e tem como objetivo mostrar que nossos alunos utilizam adequadamente os recursos coesivos necessários a uma boa tessitura do texto, quando a produção textual ocorre a partir da interação. Para isso será feita uma revisão de literatura sobre o que é texto, sobre o ato de escrever e sobre os principais mecanismos de coesão. Em seguida, será analisada uma paródia que foi escrita durante um Projeto de Leitura realizado em 2003, com alunos do 2º ano de Ensino Médio do CEFET-PI / UNED-Floriano, atual Instituto Federal do Piauí (IFPI). De acordo com esta pesquisa qualitativa, evidenciou-se que os mecanismos coesivos mais utilizados na paródia foram os de referenciação; que a coesão nem sempre garante o sentido do texto, necessitando, muitas vezes, dos fatores de textualidade levados em consideração no momento da interação produtor texto receptor; e que, a produção textual em sala de aula, quando feita a partir de uma atividade concreta, com interlocutores reais, tem mais chance de produzir textos coesos e coerentes que aqueles produzidos de forma mecânica, apenas como cumprimento de um exercício.

 Palavras-chave: recursos coesivos, referenciação, produção textual, interação.


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https://drive.google.com/file/d/16ISh25McKcxuViXPv1-8Qkgll2UBH32p/view?usp=sharing

SENÃO OU SE NÃO?

 



Sempre que você estiver na dúvida se deve usar 'senão' ou 'se não', lembre-se dessa dica:

👉 senão - significa 'no caso contrário', 'de outro modo', 'a não ser', 'mas sim'.

Tome conta de seu cachorro, senão (de outro modo) ele foge.

👉 se não - significa 'quando não' ou 'caso não'.

Ele foi muito ríspido, se não (quando não) mal-educado.

Se não (caso não estude) estudar para a prova, fará um péssimo exame.

Fácil, não é mesmo?! Até a próxima dica! 👍

REFERÊNCIAS

VALENÇA, Ana. Roteiro de Redação: lendo e argumentando. São Paulo: Scipione, 1998.



ACERCA DE / A CERCA DE / HÁ CERCA DE

 




👉 acerca de = sobre, a respeito de

Não disse nada acerca do plano econômico que elaborou.


👉 a cerca de = aproximadamente

Minha casa fica a cerca de cem metros da praia.


👉 há cerca de = faz aproximadamente (tempo passado)

Há cerca de dez anos que eles estudam esse assunto.


                                


REFERÊNCIAS

VALENÇA, Ana. Roteiro de Redação: lendo e argumentando. São Paulo: Scipione, 1998.


domingo, 1 de agosto de 2021

O USO DE POR QUE, PORQUE, POR QUÊ OU PORQUÊ

 


Alguma vez você teve que usar a palavra por que / porque e ficou na dúvida? Não se preocupe, isso ocorre com muitas pessoas. Entretanto, sempre é bom aprendermos a usá-los corretamente, não é mesmo?

 Então vamos lá!

👉 por que 

a) nas perguntas.

Por que você não veio à festa?

b) quando se subtende a palavra 'motivo'.

Ele não me disse por que (motivo) faltou à aula.

c) quando puder ser substituído por "pelo qual", "pela qual", "pelos quais",  "pelas quais".

Não vou lhe dizer as razões por que deixei de vir à aula.

d) no final de frase recebe acento circunflexo.

Você não veio à festa por quê?

Muitos estavam na passeata sem saber por quê.


👉 porque

a) quando equivale a 'pois', 'uma vez que', 'pelo fato'.

Não vim à aula porque  estava doente.

b) com acento circunflexo quando é substantivo (sempre antecedido de um determinante).

Não seio o porquê (a causa, o motivo) de sua ausência.



REFERÊNCIAS

VALENÇA, Ana. Roteiro de Redação: lendo e argumentando. São Paulo: Scipione, 1998.



sábado, 24 de julho de 2021

OS PROCESSOS IDENTITÁRIOS E DE FORMAÇÃO DE SABERES NA POLÍTICA NACIONAL DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA DO IFPI – FLORIANO

 RESUMO

Esse estudo procura analisar os processos de formação de identidade e de construção de saberes dos alunos dos cursos de Licenciatura Plena em Biologia e Matemática vinculados à Política Nacional de Formação de Professores do Magistério da Educação Básica - PARFOR – oferecido pelo Instituto Federal do Piauí – Campus Floriano. O referencial teórico desta investigação se embasou em diferentes autores: Pimenta (1999, 2002, 2005), Nóvoa (1997), Tardif (2002), entre outros, que vem investindo nos estudos em relação à formação docente. A metodologia aplicada é a abordagem qualitativa, e os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram a aplicação de um questionário que envolveu questões fechadas acerca de alguns dados pessoais, sociais, culturais e profissionais e cinco questões semiestruturadas. Os sujeitos foram 49 alunos das licenciaturas em Biologia e Matemática do PARFOR. Após a análise do material de coleta, algumas categorias de análise foram organizadas, contribuindo para as interpretações, além de apontar para novas perspectivas de pesquisas nesse campo.

Palavras-chave: Processos Identitários. Construção de saberes. Formação de Professores. PARFOR.


PARA TER ACESSO AO ARTIGO NA ÍNTEGRA, CLIQUE AQUI 👇

https://drive.google.com/file/d/164tc7jWXSaLcp_z_qmWrzHJDZJ128URF/view?usp=sharing

PRÁTICAS LEITORAS NO INSTITUTO FEDERAL DO PIAUÍ - CAMPUS FLORIANO

 RESUMO

Este trabalho tem como objetivo relatar as práticas leitoras desenvolvidas no Instituto Federal do Piauí, campus Floriano, entre 2009 e 2011. Para tanto, tem como base o referencial teórico de Freire (2001), Martins (2005), Silva (1993; 2011) e Solé (1998), por compreender que a leitura, por ser um ato individual e ao mesmo tempo social, é capaz de promover a emancipação cultural, econômica e social dos indivíduos. É uma pesquisa-ação que visa produzir mudanças e melhorias no processo do ensino e aprendizagem da leitura, bem como a compreensão do próprio fenômeno explicitado. Os resultados obtidos até 2011 evidenciam que nossa escola tornou-se promotora da leitura efetiva, tendo como principais fatores o incentivo dos gestores, a dedicação dos mediadores, a ações por eles desenvolvidas, o vasto acervo literário e o ambiente físico atrativo da Casa da Leitura.

Palavras-chave: práticas leitoras, leitura efetiva, Casa da Leitura.

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https://drive.google.com/file/d/1qtP69xoDmkEAscmTatoVYWHo9UcJvitq/view?usp=sharing


IDENTIDADES DE GÊNERO E SEXUALIDADE NO CONSUMO CULTURAL DO NEO-FORRÓ: REFLEXÕES DESDE OS ESTUDOS CULTURAIS EM EDUCAÇÃO

 RESUMO

Esta pesquisa tem como objetivo compreender qual o lugar das práticas de consumo do neo-forró na formação das identidades de gênero e sexualidade da juventude de Floriano - Piauí. Encontrei no referencial teórico de autores como Stuart Hall, Michael Foucault, Joan Scott e Zygmunt Bauman argumentos necessários para entender como certos discursos sobre gênero, sexualidade, amor, desejo e consumo se instituem como verdade e instauram representações e posições de sujeitos, que revelam práticas de saber-poder. Através da pesquisa qualitativa de inspiração etnográfica, as análises evidenciam que o consumo cultural do neo-forró pela juventude local não apresenta uma total determinação entre os ditos das letras e os discursos e práticas juvenis, pois nos espaços onde vemos em ação as pedagogias culturais, há sempre lugar para a crítica e para a reformulação de novos discursos.

PALAVRAS-CHAVE: Neo-forró, identidade de gênero, juventude, Estudos Culturais, pedagogias culturais.

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https://drive.google.com/file/d/1eaqNcnvENxnF6B1Uy48C-WPjmAwDrU_J/view?usp=sharing

O FORRÓ ECOLÓGICO DE LUIZ GONZAGA: UM DIÁLOGO ENTRE O POPULAR E O AMBIENTAL

 RESUMO

Na análise cultural empreendida nesta pesquisa teórica, procuro mostrar que muitas são as representações ambientais propagadas pelas músicas de Luiz Gonzaga. Inspirada nos Estudos Culturais contemporâneos, recorro à noção de representação definida por autores pós-estruturalistas como Stuart Hall, para colocar em evidência que o compositor Luiz Gonzaga foi, de certa forma, um militante ecológico ao incorporar em suas letras uma postura política de defesa às questões ambientais. Para tanto, discorro sobre as novas sensibilidades, baseada em autores como Carvalho e Leff e utilizo a letra Xote Ecológico como exemplo de que na música de Luiz Gonzaga o popular dialoga com o ambiental, constituindo-o, assim, num sujeito ambiental.

Palavras-chave: representação, Estudos Culturais, novas sensibilidades, sujeito ambiental.

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https://drive.google.com/file/d/1HUsGc6frG07L26SWmWrosdcllT4480Yv/view?usp=sharing

LÂMINAS DISCIPLINARES: A EDUCAÇÃO ATRAVÉS DO CONSUMO

 RESUMO

Este artigo se insere na área dos Estudos Culturais e tem como objetivo analisar uma lâmina de bandeja do McDonald's, a partir da perspectiva do currículo cultural, enfatizada pelas pedagogias pós-críticas da educação. Fica claro que outros lugares (que não somente a escola) também educam; também são pedagógicos, à medida que ensinam algo a alguém e que, por estarem fora da escola, são mais atrativos, sedutores e influenciam efetivamente o comportamento das pessoas, já que apelam para a fantasia e para a emoção, para a imaginação e para o sonho, fazendo-se presentes cada vez mais na vida de crianças e adolescentes. Ao criarem um currículo cultural, organizações como o McDonald’s, que não são educacionais, mas comerciais, que não visam ao bem social, mas ao lucro, acabam criando representações de crianças felizes, educadas e de uma classe social privilegiada, ou seja, representações de uma sociedade em que os que não se identificam com essas representações, passam a ser vistos como os outros. Faz-se necessário que nós, educadores e estudiosos da educação, nos voltemos paras as questões que envolvem cultura, poder e pedagogia, a fim de questionarmos as reais intenções de artefatos aparentemente tão inocentes como essas lâminas, que educam em nome do consumo.

Palavras-chave: artefato cultural, pedagogia cultural, representação, poder.

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https://drive.google.com/file/d/1BblJxxPnBU6GnU36NqZNIMI2JS6xTnc2/view?usp=sharing

sexta-feira, 23 de julho de 2021

O USO DE ONDE E AONDE

 Palavra “onde” é usada para se referir a um lugar, o equivalente a “em que”. Já “aonde” é a combinação da preposição “a” com o advérbio ou pronome relativo “onde”. 



A palavra “onde” é usada para se referir a um lugar, equivale a “em que”

Já “aonde” é a combinação da preposição “a” com o advérbio ou pronome relativo “onde”.

Quando se usa “onde”? 👀

“Onde” é um advérbio de lugar e também pode exercer a função de pronome relativo (quando se refere a um lugar mencionado anteriormente na frase).

Exemplo

Onde está o livro?”

Nessa frase interrogativa, a palavra “onde” indica o lugar (ainda desconhecido) em que o enunciador colocou seu livro. 

Já na próxima frase, perceba que o pronome relativo “onde” retoma o substantivo “cidade”:

 cidade onde nasci fica na Serra da Mantiqueira .

Portanto, “onde”, nesse exemplo, refere-se à palavra cidade (lugar), mencionado anteriormente.

Atenção

As aulas presenciais pararam naquele dia, foi onde percebi que elas eram importantes.

Note que o uso da palavra “onde”, nessa frase, não faz sentido, pois essa palavra indica lugar. A que lugar o enunciador ou enunciadora se refere então? Na verdade, a sua intenção era esta:

As aulas presenciais pararam naquele dia, foi quando percebi que elas eram importantes.

Dessa forma, o termo “quando” se refere ao dia (indica tempo) em que as aulas presenciais pararam.


Onde: é usado com verbos que indicam permanência: 

Ex: A casa onde moro. (morar é verbo que indica permanência)

Aonde: é usado com verbos que indicam movimento 👉 ir, chegar e voltar.

Ex:  Aonde você vai? (ir é verbo que indica movimento)

Até a próxima dica!

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Retornando depois de muitos anos

 Olá querido(a) visitante,

Depois de muitos anos ausente, consegui recuperar minha senha e, em breve, teremos novos conteúdos de Língua Portuguesa e Educação. 

Abraços a todos(as). 

terça-feira, 5 de junho de 2012

DILEMAS DA NOSSA LÍNGUA

                                           

Diariamente, ao falarmos ou escrevermos, enfrentamos dificuldades no emprego de determinadas formas verbais e, muitas vezes, cometemos enganos no uso corriqueiro de algumas expressões.
Observe os exemplos abaixo

Cheguei em casa tarde.   ou    Cheguei a casa tarde.
A professora interviu a favor do aluno.   ou    A professora interveio a favor do aluno.

O verbo chegar rege preposição a  e não em, como costumamos usar no dia a dia. Já o verbo intervir , conjugado no pretérito perfeito do indicativo - 3ª pessoa do discurso (ele/ela) - tem como forma verbal interveio, assim como sobreveio de sobrevir, ou veio do verbo vir.

Você já entreteu em algum forró ou já entreteve em algum forró?  
A primeira forma verbal é muito comum no falar brasileiro e constitui desvio da norma padrão. O verbo ter e seus derivados (entreter, deter, reter) fazem o pretérito perfeito do indicativo - 3ª pessoa/singular - em entreteve (deteve, reteve).

Deparei-me com uma situação embaraçosa ou deparei com uma situação embaraçosa?
É muito comum ouvirmos falar "deparei-me", mas o comum nem sempre é o correto, não é mesmo? O verbo deparar não é pronominal; sendo incorreto, portanto, o uso de pronomes átonos (me, te, se, nos, vos). Então, deve-se falar: Deparei com a triste situação.

Eu tinha falo a verdade ou eu tinha falado a verdade?
Maria tinha pego a colher ou tinha pegado a colher?
Muitas pessoas costumam empregar a primeira forma de cada exemplo. Nessas formas verbais do particípio, o correto é falado para o verbo falar, já que falo, segundo o dicionário Aurélio é:
Substantivo masculino.
1.Representação do pênis, adorado pelos antigos como símbolo da fecundidade da natureza.
2.O pênis.
3.Embr. Órgão precursor do clitóris e do pênis. [F. paral.: fálus.]
No segundo exemplo, temos o verbo pegar que admite as duas formas verbais para o particípio e as pronúncias abertas ou fechadas para a forma pego (é ou ê).

O motorista freou repentinamente o ônibus ou freiou?
A moça penteou o cabelo ou pentiou?
Na oralidade, é comum o uso das formas verbais freiou e pentiou, no pretérito do indicativo. Mas o correto, de acordo com a norma gramatical é penteou e freou. Os verbos terminados em "ear" como arrear, cear, frear, passear, pentear, recear, recrear, saborear, etc. são irregulares: fazem um ditongo "ei" nas formas rizotônicas das 1ª, 2ª e 3ª pessoas do singular e 3ª pessoa do pluras, nos tempos do presente (indicativo e subjuntivo). Ex:
Presente do indicativo                         Pretérito do indicativo
Eu freio                                                  Eu freei
Tu freias                                                 Tu freaste
Ele freia                                                  Ele freou
Nós freamos                                           Nós freamos
Vós freais                                               Vós freastes
Eles freiam                                              Ele frearam    

Roberta se maquia  ou se maqueia?
O correto é  Roberta se maquia sempre.         
O verbo maquiar (maquilar) é regular e se conjuga no presente do indicativo assim: eu maquio, tu maquias, ele maquia, nós maquiamos, vós maquiais, eles maquiam).
Já os verbos mediar, ansiar, remediar, incendiar e odiar (MARIO) são irregulares e se conjugam no presente do indicativo dessa forma: 
Mediar: medeio, medeias, medeia, mediamos, mediais, medeiam.
Ansiar: anseio, anseias, anseia, ansiamos, ansiais, anseiam.
Remediar: remedeio, remedeias, remedeia, remediamos, remediais, remedeiam.    
Incendiar: incedeio, incendeias, incendeia, incendiamos, incendiais, incendeiam.
Odiar: odeio, odeias, odeia, odiamos, odiais, odeiam.

REFERÊNCIA

Revista Língua Portuguesa. Editora Escala Educacional. Edição nº 6 - Maio / 2012.

 

sábado, 26 de maio de 2012

VOCÊ SABIA?


Você sabia que Amadeu Thiago de Mello, amazonense de Barreirinha, abandonou o curso de Medicina no quinto ano para dedicar-se à poesia?
Carlos Drummond de Andrade, depois de ver os poemas de Thiago de Mello, alertou-o sobre os inconvenientes de deixar os estudos para se arriscar numa carreira literária. Drummond o apresentou a Manuel Bandeira, que recomendou a publicação de um dos seus poemas no jornal Correio da Manhã. Porém, o primeiro livro, Silêncio e Palavra, só foi publicado em 1951, sendo reconhecido pelos críticos literários da época.
A primeira fase da sua poesia é intimista e existencial, embora possamos perceber nela a importância da natureza e da floresta como elementos de poder metafórico constantes em seus poemas. Sua obra retrata os sentimentos mais íntimos de forma simples e lírica, mas de forte vocação social, assim como sua própria vida.
Thiago de Mello foi uma das vozes mais ativas em defesa da Floresta Amazônica. No auge da seca de 2005, o poeta resumiu numa frase o sentimento daqueles que, como ele, gostariam de salvar um bem precioso: "A floresta tem a vocação da dádiva, gosta de entregar, de ser bondosa para com seus filhos. Mas gosta de ser bem tratada e respeitada. Ela gosta de ser usada, mas não abusada."

O ANIMAL DA FLORESTA

De madeira lilás (niguém me crê)
se fez meu coração. Espécie escassa
de cedro, pela cor e por conter
no seu âmago a morte que o ameaça.
Madeira dói?, pergunta quem me vê
os braços verdes, os olhos cheios de asas.
Por mim responde a luz do amanhecer
que recobre de escamas esmaltadas
as águas fundas que me deram raça
e cantam nas raízes do meu ser.
No crepúsculo estou da ribanceira,
entre estrelas e o chão que me abençoa
as nervuras. Já não faz mal que doa
meu bravo coração, de água e madeira.                            
(Thiago de Mello)

RUMO

Somente sou quando em verso.
Minhas faces mais diversas
são labirintos antigos
que me confundem e perdem.

Meu pensamento perfura
muros de nada, à procura
do que não fui nem serei.

Ante a carne fêmea e branca
meu corpo se recompõe
ofertando o que não sou.

Meu caminhar e meus gestos
mal e apenas anunciam
minha ainda permanência.

Para chegar até onde
não me presumo, mas sou,
sigo em forma de palavra.
(Thiago de Mello - De Silêncio e Palavra)

POEMA CONCRETO

O que tu tens e queres
saber (porque te dói),
não tem nome. Só tem
(mas vazio) o lugar
que abriu em tua vida
a sua própria falta.

A dor que te dói pelo avesso,
perdida nos teus escuros.
É como alguém que come
não o pão, mas a fome.

Sofres de não saber
o que não tens e falta
num lugar que nem sabes.
Mas que é na tua vida,
quem sabe é  em teu amor.

O que tu tens, não tens.
(Thiago de Mello - De Vento Geral)

Pérolas Esparsas


"A poesia nos deve surpreender pelo seu delicado excesso e não porque é diferente. Os versos devem tocar nosso próximo, como se ele tivesse lembrado algo que nas noites dos tempos já conhecia em seu coração. A beleza de um poema não está na capacidade que ele tem de deixar o leitor contente. A poesia é sempre uma surpresa, capaz de nos tirar a respiração por alguns momentos. Ela deve permanecer em nossas vidas como o pôr-do-sol: algo milagroso e natural ao mesmo tempo."
John Keats (1785 -  1821), poeta inglês

"O inverno cobre minha cabeça,
mas uma eterna primavera
vive em meu coração."
Victor Hugo (1802 - 1885), poeta francês

"Qualquer indivíduo é mais
importante do que a Via Láctea."
Nelson Rodrigues (1912 - 1980), dramaturgo brasileiro

"O amor é uma flor delicada,
mas é preciso ter coragem de
ir colhê-la à beira de um precipício."
Stendhal (1783 - 1842), escritor francês

"No homem, o desejo gera o amor.
Na mulher, o amor gera o desejo."
Jonathan Swift (1667 - 1745), escritor irlandês

"A ciência é grosseira, a vida é sutil,
e é para corrigir essa distância que
a literatura nos importa."
Roland Barthes (1915 - 1980),  intelectual francês

"A árvore, quando está sendo cortada,
observa com tristeza que o cabo do
machado é de madeira."
Provérbio árabe
 
 
 

sexta-feira, 25 de maio de 2012

NOVOS PARÂMETROS DE CORREÇÃO DO ENEM


O MEC (Ministério da Educação), responsável pela edição, aplicação e correção das provas, anunciou, nesta quinta-feira, novos parâmetros de correção do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), para garantir a confiabilidade das notas.


A nota da redação do Enem vale 1.000 pontos divididos em cinco quesitos avaliados em até 200 pontos cada (domínio da língua, capacidade de argumentação e compreensão do tema, entre outros). Até o ano passado, a prova era examinada por dois professores e a diferença entre as avaliações deles não podia ultrapassar 300 pontos. Se isso acontecesse, um terceiro corretor era convocado para avalizar o resultado.

A partir de agora, a margem de erro foi reduzida para 200 pontos. Os avaliadores também não podem apresentar diferença maior do que 80 pontos em cada um dos cinco critérios de análise. Caso a discordância persista, outros três professores serão chamados para fazer a revisão do exame. Vale ressaltar que os avaliadores são independentes, ou seja, um não conhece a avaliação do outro.

A mudança será implementada a partir da próxima avaliação, marcada para os dias 3 e 4 de novembro de 2012.

O manual do aluno deste ano estará disponível em julho e fornecerá exemplos de redações consideradas adequadas aos moldes do Enem, com as normas de correção.

INSCRIÇÕES

As inscrições para o Enem 2012 estarão abertas a partir da próxima segunda-feira (28) até 15 de junho. Como já foi mencionado, a prova ocorrerá nos dias 3 e 4 de novembro.

O gabarito da prova será divulgado no dia 7 de novembro e o resultado em 28 de dezembro. A prova será aplicada em 140 mil salas de aula.


COMPETÊNCIAS DO ENEM

São cinco as competências avaliadas na prova de redação, conforme se verifica a seguir:

1. Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita

Demonstrar um conhecimento mínimo de regras básicas de escrita na nossa língua, ou seja, respeito às normas gramáticais.

2. Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo

Essa competência envolve a compreensão da proposta de redação (tema) na elaboração de um texto dissertativo-argumentativo em prosa. Interessa nesse quesito, que o aluno adote um posicionamento crítico e reflexivo diante de determinada questão ou expresse sua opinião de modo claro e coerente. Para tanto, deve valer-se de seu conhecimento de mundo, adquirido através da leitura de textos diversificados, principalmente os jornalísticos.

3. Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista

O aluno deve ser capaz de selecionar dados, informações ou argumentos que sejam pertinentes ao tema proposto. Além disso, é importante saber organizar as ideias a partir dos argumentos escolhidos, a fim de apresentar uma interpretação lógica e coerente para a situação-problema em questão, a fim de demonstrar seu ponto de vista em relação ao tema proposto.

4. Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação

Organizar os argumentos no texto de modo lógico e coerente. Para isso, é fundamental utilizar os chamados elementos de coesão textual e/ou os organizadores argumentativos, como, por exemplo, advérbios, locuções adverbiais e conjunções, estabelecendo relações adequadas entre termos e também entre os parágrafos, sobretudo no desenvolvimento do texto, a fim de que o sentido seja construído de maneira clara e objetiva.

5. Elaborar proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural

Toda a construção da argumentação deve ter como objetivo a apresentação de possíveis soluções para a questão levantada, que devem resultar de uma relação lógica e coerente com os argumentos, opiniões, informações e dados apresentados no desenvolvimento.





domingo, 13 de maio de 2012

OS FASCINANTES ANOS 20

      Mais uma vez, o projeto Os Fascinantes Anos 20 foi realizado com total sucesso! O trabalho foi desenvolvido pelos alunos do 3º ano de Informática do Instituto Federal do Piauí, campus Floriano, com orientação da professora de Língua Portuguesa, Luciana Neiva.
     O objetivo desse projeto é trabalhar os principais acontecimentos históricos e culturais que antecederam a Semana de Arte Moderna, ocorrida em fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo.
     Para tanto, a turma foi dividida em quatro grupos, que produziram: um mural com as principais Vanguardas Europeias, pesquisas sobre a cultura e os fatos históricos mais marcantes do início do Século XX, uma peça teatral sobre A Semana de Arte Moderna e, ainda, a produção de um filme baseado no conto de Stanislaw Ponte Preta, À beira mar.
     As atividades foram apresentadas através de um jornal falado.
    Parabéns a todos os alunos da turma 4.311!

Grupo 1: Apresentação das Vanguardas Europeias

Grupo 2: Principais fatos históricos e culturais da década de 20

Gurpo 3: Produção do filme À beira mar

Capa do filme À beira mar

Grupo 4: Peça Teatral sobre a Semana de Arte Moderna


Gurpo 4: Semana de Arte Moderna

Apresentadores do Jornal Falado: Gabriel e Francisca

domingo, 6 de maio de 2012

IFPI ITINERANTE 2012


       No dia 25 de abril de 2012, o IFPI Itinerante esteve presente no bairro Campo Velho, em Floriano, para mais uma atividade de extensão. Na ocasião, diversos serviços foram prestados à comunidade local e aos alunos das escolas Antônio Waquim, Antônio Nivaldo e APAE, como: aferição de pressão, tipagem sanguínea, prevenção bucal, tira-gosto literário, contações de histórias infantis e informações sobre os cursos ofertados pela Instituição.
       Mais uma vez, sentimos que a escola cumpriu sua função social, para além dos seus muros! Parabéns a todos os funcionários e alunos do Instituto Federal que fazem esse projeto acontecer!

Exposição e divulgação do Curso de Licenciatura Plena em Biologia

Divulgação do Curso Técnico em Meio Ambiente - alunos do 1º ano

Tira-gosto literário: um estímulo à leitura de poesias

Contação de histórias e teatro infantil

Público infantil - contação de histórias


Mesa-redonda sobre as DST's (doenças sexualmente transmissíveis)

Prevenção bucal - alunos da APAE - Floriano



Aferição da pressão arterial e tipagem sanguínea


Tira-gosto Literário
 
 

SONETOS DE CRUZ E SOUSA

Cruz e Sousa  foi o  principal nome do Simbolismo brasileiro , nasceu em 24 de novembro de 1861. Filho de escravos alforriados, teve acesso ...